Estação Poética

19.12.07

Nevasca


Sob a nevasca

meus pensamentos

congelam

ou desaparecem

na neblina.


19.4.07

Bagdad Café


Existe um antes
e depois
de Bagdad Café.
Então?
O blog não mora mais aqui.

15.4.07

Desagravo

Sou de pouca gente
e os amigos fiéis trago-os
na palma da mão, fechada.
Visto preto em desagravo
moral ou para disfarçar algum
contentamento.
Na pauta do existir
sou nota desafinada,
irrelevante, pois se a chuva
orquestra e os pássaros cantam,
por que eu Callas?
Posso até ler Proust, mas
nada faz voltar o tempo.

5.4.07

Déjà Vu

Quem pede tempo,
não sabe de amor
e quem ama
desconhece prazo.
No carteado a dois
um dita as regras,
ludribia ou descarta.
O outro, no limear
do desamor,
turvo de mágoa,
suplica por um alento,
como quem precisa,
só para morrer.

26.2.07

Furtiva


Nunca fui
a Nova Iorque,
nem por isto a
ambição me escapa.
Desejos furtivos
me esganam,
e na voragem da
cobiça descubro
que todos os caminhos
levam a Wall Street.
Nunca fui a Istambul,
mas o coração
é uma mesquita,
onde faço apelos
para que a alma
livre-se dos medos
e voe leve.

24.2.07

Migalhas


Ali onde os pássaros cantam,
jogo migalhas à toa...
Umas, criam raízes, florescem...
Outras, borboletas, voam...

Estações


Sem ponteiro
e sem corda
faço a hora.
Nas batidas
do coração
vivo as estações.

15.2.07

Migalhas


Ali onde os pássaros cantam,
jogo migalhas à toa...
Uns, criam raízes, florescem...
Outros, borboletas, voam...

Antropomagia


Esta noite sonhei
que o mar me engolia
e depois se lambia
com beiços de espuma.
Por sorte ou magia,
no marulho das ondas
vi quebrar-se o encanto
e meu sonho desfeito,
disperso entre as brumas.